“Era um galo que cantava por acreditar que o seu canto era o responsável por fazer o sol nascer.  Todas as manhãs eram iguais.
O galo acordava antes de o sol nascer com o céu ligeiramente azulado, subia no telhado e lançava o seu canto imponente. 
Alguns minutos depois, lá estava o sol brilhando em todo seu esplendor. 
Só então o galo cuidava dos afazeres do terreiro: expulsar invasores, proteger suas galinhas, ciscar…
No galinheiro era tido como um deus todo poderoso. Todos o respeitavam.
O galo vivia estressado por conta de sua responsabilidade: já pensou se algum dia perdesse a hora? E se ficasse rouco? Era um enorme fardo.
Dia após dia, noites e noites mal dormidas na expectativa de acordar no horário de fazer o sol nascer.
 
Uma manhã ele não acordou. O estresse da incumbência fez com que perdesse a hora.
Qual não foi o seu espanto ao acordar por volta do meio-dia e ver que o sol nascera a despeito da ausência do seu canto e no galinheiro estava naturalmente tudo igual , sem a sua gerência.
Ao se levantar foi alvo de piadas de todos do quintal que dele escarneciam.
Seu mundo ruíra . Tudo em que acreditara era agora um monte de escombros sobre o qual não podia esconder sua humilhação.
Porém, repentinamente algo aconteceu em seu interior.
 
O galo percebeu a leveza causada pela ausência do antigo fardo. Sentiu-se leve e feliz.
Subiu no telhado e cantou como nunca cantara antes: a plenos pulmões. Um canto de alívio que emocionou verdadeiramente a todos. 
Um canto de pura arte. 
E desta vez não soou somente como o sinal da chegada do momento de acordar e pegar na árdua lida do dia.
A partir desse dia o galo cantava não para fazer o sol nascer, mas para celebrar o seu nascimento, certo de que aconteceria independentemente da sua vontade, com isto percebeu que tinha menos a fazer e mais a celebrar.”
 
Ps:
 
Realmente não sei quem é o autor.