Ora, escrevo porque eu gosto, mesmo que isto não tenha nenhum valor,

 …mas este texto do Borges fala sobre este tema de forma absolutamente perfeita,

“Hoje de manhã me perguntaram se eu escrevia para a maioria ou para a minoria, e eu respondi, como respondi tantas vezes que se fosse Robson Crusoé em minha ilha deserta, eu continuaria escrevendo.
Ou seja, eu não escrevo para ninguém, eu escrevo porque sinto uma íntima necessidade de fazê-lo. Isto não significa que eu aprove o que eu escrevo, posso não gostar, mas eu tenho que escrever aquilo naquele momento.
Caso contrário me sinto… injustificado e infeliz, sim, desventurado.
Por outro lado, se escrevo, o que eu escrever pode não ter valor, mas enquanto escrevo me sinto justificado; penso: estou cumprindo com o meu destino de escritor, sem considerar o que a minha escrita possa valer.”

                                                           

Jorge Luís Borges