Poetas e afins

E a gente vai pegando essas folhas de poesias caídas por ai

 

A poesia, bem, a poesia é a sobremesa da vida.
 
Poesia de Almeida Garret

“Antes que venha o Inverno e disperse ao vento essas folhas de poesia que por aí caíram, vamos escolher uma ou outra que valha a pena conservar, ainda que não seja senão para memória.”

Almeida Garret

Porque eu escrevo

Ora, escrevo porque eu gosto, mesmo que isto não tenha nenhum valor,

 …mas este texto do Borges fala sobre este tema de forma absolutamente perfeita,

“Hoje de manhã me perguntaram se eu escrevia para a maioria ou para a minoria, e eu respondi, como respondi tantas vezes que se fosse Robson Crusoé em minha ilha deserta, eu continuaria escrevendo.
Ou seja, eu não escrevo para ninguém, eu escrevo porque sinto uma íntima necessidade de fazê-lo. Isto não significa que eu aprove o que eu escrevo, posso não gostar, mas eu tenho que escrever aquilo naquele momento.
Caso contrário me sinto… injustificado e infeliz, sim, desventurado.
Por outro lado, se escrevo, o que eu escrever pode não ter valor, mas enquanto escrevo me sinto justificado; penso: estou cumprindo com o meu destino de escritor, sem considerar o que a minha escrita possa valer.”

                                                           

Jorge Luís Borges

 

Todos os povos amam seus poetas

 

Trecho de uma entrevista com o Paulo Leminski em 1985, onde ele fala que todos os povos amam seus poetas. 

“O poeta não é um ser de luxo, ele não é um excrescência ornamental da sociedade, ele é uma necessidade orgânica de uma sociedade. A sociedade precisa daquela loucura para respirar, é através da loucura dos poetas, através da ruptura que eles representam que a sociedade respira.”

A imensa vassoura luminosa

 

“O certo é que o sol, como uma imensa vassoura luminosa, rompeu de repente o nevoeiro empurrando-o para longe.” 

José Saramago

Trecho retirado do livro  “A viagem do Elefante.”

Sobre gostar e ter

 
 
 “… Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter… Ter deve ser a pior maneira de gostar…”
 
                                                                                   Do livro o conto da ilha desconhecida, de José Saramago.
 

Poema em linha reta

Poema em linha reta de Fernando Pessoa, em uma interpretação antológica do Osmar Prado

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. 

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?